MURÇA  800 anos de história


Na Freguesia de Murça, sede de Concelho, encontramos o testemunho de 800 anos de história. Uma história que fielmente relata a vida e obra de uma ocupação constante e criativa.
São muitos os motivos arquitetónicos que nos prendem o olhar. Desde logo concentremo-nos no belo centro histórico onde a famosa Porca de Murça ainda reina.
Á distância de uns passos está o perfeito Pelourinho Manuelino, a Igreja Matriz ou o antigo Convento Beneditino. Este quadro fica perfeito com as Casas Brasonadas e Senhoriais ali erguidas.
Para caminhar os trilhos da história, percorra-se a calçada romana. O mais bem preservado troço romano da Península Ibérica.
Uma outra riqueza é a do mundo rural, de gente simples e amistosa que ergueu um enorme património com o xisto e granito desta terra.


Etimologia


Existem várias versões. Uma delas é, segundo Correia de Azevedo, derivar o nome de algum mouro chamado Muça que a tivesse povoado. David Lopes diz que Murça é nome hebraico. Por sua vez, Pedro Machado apresenta a palavra Murça como pertencente à família das palavras românicas. Segundo outros etimologistas, e esta é a teoria mais corrente, o nome deriva de ursa, nome ligado à lenda da porca. Nos diferentes documentos, forais e outros, a palavra aparece de várias formas: Muça, Muçam, e Mussa.


Autonomia Administrativa


É o Foral de D. Sancho II que nos dá a conhecer as mais antigas delimitações fronteiriças do concelho de Murça. Durante todo o desenrolar da História, e ao longo dos tempos até ao 25 de Abril, vão mudando, ora com mais ora com menos freguesias e lugares no seu termo. Em 1835, por decreto lei, é imposta uma nova divisão administrativa. Em 1895, o concelho passa a ter uma divisão administrativa semelhante à atual. No início dos anos 30, foi extinta a comarca de Murça, passando esta a ser anexada à de Alijó. Após o 25 de Abril de 1974, foi de novo restaurada a comarca de Murça.
A Freguesia de Murça tem por orago Santa Maria Maior. O Feriado Municipal a 8 de Maio e festa ao Senhor dos Aflitos no 2.° Domingo de Julho. As Feiras acontecem aos dias 13 e 28 de cada mês. A feira de ano é dia 22 de dezembro.

A tão “Enigmática Escultura”


"Está logo tia Vila de Murça, junto ao rio Tinhela, que cria grandes trutas, terra de muito pão, vinho, azeite, mel, onde está hu grande boi (porca) feita de pedra mui antiga, como hu está na ponte de Salamanca. Parece que estes bois ficarão do tempo dos gregos. (João de Barros, 1545). Estas enigmáticas esculturas rudes, em pedra, enquadram se no período Proto histórico Idade do Ferro (500 a.C.) e segundo a terminologia arqueológica, denominam se de "beirões ".
São frequentes exemplares do género no nordeste transmontano e na região de Salamanca. O seu significado religioso está ligado ao velho culto de comunidades indígenas que adoravam os animais como deuses protetores, com a finalidade de esconjurar calamidades, roubos, doenças e outros malefícios a que estão sujeitos os animais das manadas ou rebanhos, tendo em consideração que se tratava de povos com uma economia agro pastoril e, por extensão, talvez as próprias pessoas e os seus pertencentes fossem também protegidos por essa divindade. Embora o povo a considere do sexo feminino, o certo é que se trata de um macho (porco de cobrição), porque nessa época o sagrado era sempre apresentado no macho, símbolo de fertilidade, daí a tendência para a sua idolatria". A porca encontra se no meio da praça 31 de Janeiro. É um dos monumentos mais conhecidos do país. É a famosa porca de Murça.

População


Sabe-se que muito antes da formação da nacionalidade, o termo de Murça já era habitado. Contudo, só a partir das Inquirições de D. Afonso III é que se começam a conhecer alguns dados sobre a população. Elementos mais concretos só em 1530, com recenseamento geral que D. João III mandou realizar em todas as povoações de Trás – os - Montes. Em 1796, verificamos que a população de Murça tinha aumentado em números significativos com uma densidade populacional de 16 habitantes por Km2, albergando cada fogo 3,2 pessoas. De 1960 a 1970 a população decaiu 28,4% devido à imigração para o estrangeiro ou saída para o litoral, sobretudo casais jovens. Segundo a recolha de António Luís Pinto da Costa, (pág. 204 na obra "o Concelho de Murça, Retalhos para a sua história"), a população aumentou de novo de 1970 a 1981, não atingindo contudo o nível decaído. Segundo o censo de 1981, o Município contava com 8518 habitantes. Em 1991 a população era de 7206. Segundo as últimas estatísticas de 2001, a população diminuiu 9% em relação a 91, atingindo 6557 habitantes. Segundo os censos de 2011 o Concelho de Murça tem 5952 habitantes